sábado, 23 de novembro de 2013

Mesada

Essa tarefa não é tão difícil como parece. Um bom caminho pode ser a mesada. Do ponto de vista dos filhos, a mesada representa uma espécie de "independência econômica". Isso não significa que ela deva suprir todas as necessidades da criança e do adolescente, mas, sim, permitir que eles passem a administrar uma determinada quantia e, com isso, não precisem pedir dinheiro para todo e qualquer gasto.

“Eles podem fazer alguma economia e planejar gastos maiores a longo prazo. Os benefícios disso são inegáveis: além de desenvolver o senso de responsabilidade, a administração de uma mesada pode ensinar o quanto pode ser difícil fazer o dinheiro render quando não se tem controle sobre os próprios impulsos de consumo”, avalia a psicóloga Paula Dely.

Apesar dos benefícios, a mesada não é uma unanimidade entre os especialistas. Cássia D´Aquino, educadora com especialização em crianças e autora de artigos e livros sobre educação financeira, alerta que o problema acontece quando se desenvolve uma relação de “premiação”, “status” ou mesmo de “castigo” entre a criança e a mesada. “Outro fator de risco é quando os pais dão palpites demais nos gastos que os filhos fazem com a mesada”, alerta a especialista. “Os pais podem sugerir que a criança poupe. Devem auxiliá-la a fixar metas e objetivos, mas é importante que as crianças tenham liberdade para gastar o dinheiro como elas quiserem pois, entre erros e acertos, eles aprendem com as consequências geradas”, completou.

Porém, existem cuidados que podem ser tomados, conforme orienta a psicóloga Paula Dely: “evite: dar mesada para crianças muito pequenas (ideal é que a mesada seja dada a crianças que já tenham noção do valor do dinheiro e saibam fazer cálculos simples); estabelecer um valor muito alto ou muito baixo; e complementar com frequência a falta de dinheiro”.

D´Aquino sugere que, dos seis aos dez anos, a criança deve receber uma “semanada”, para poder controlar melhor os impulsos e o dinheiro. “Para estipular o valor, sugiro R$ 1 por idade por semana. Após os dez anos, pode-se trabalhar com a mesada”, sugere a especialista.

É importante que os pais ensinem às crianças noções de responsabilidade, planejamento e limites, ferramentas essenciais para se viver bem em uma sociedade com tantos apelos ao consumo. É claro que isso não significa que uma criança que nunca recebeu mesada terá, necessariamente, de ser um adulto descontrolado; mas vale lembrar que a prática leva à perfeição.

Dentro do cenário familiar, o mais importante na hora de educar financeiramente os filhos é o exemplo que vem dos pais. Os pais não devem gastar tudo o que ganham, não devem "comprar" o amor dos filhos com presentes fora de hora e não devem praticar o desperdício dentro de casa. Eles podem convidar os filhos a participar do orçamento familiar desde cedo e mostrar que o dinheiro que recebem é fruto do trabalho e que este dinheiro tem limite. Isso vale mais do que anos de mesada.