A cena se repete em todo o mundo. Crianças veem vitrines lindas e coloridas e logo soltam o famoso: “eu quero”. Algumas, para desespero dos pais, fazem birra, choram, esperneiam e berram. Poucos são os pais que resistem. Boa parte, impulsionados até por vergonha da situação, acabam cedendo aos desejos dos pequenos. Mas, como agir? Como dizer “não” para uma criança que está formando a sua consciência financeira? Como ensiná-la que não se pode comprar tudo e que, na vida, também temos que lidar com frustrações e limitações financeiras?
Ana Virgínia Queiroz, psicóloga especializada em terapia familiar e coordenadora de um grupo de terapia gratuito chamado Mapaternagem, em Brasília, explica que para o “não” ser eficaz e não se desvincular de um limite amoroso, é importante que seja dito e acompanhado de uma explicação para sua existência. Assim, a criança compreenderá que não se trata de uma negação de suas necessidades ou punição por um mau comportamento, mas que o “não” tem uma razão de existir. “Dessa forma, começará a desenvolver uma compreensão lógica sobre sentimentos e limites e sua tolerância à frustração ficará mais elástica e racionalizada”, explicou.
O maior perigo de não ser firme nesses momentos é transformar o seu filho num adulto mimado, ou com dificuldades para lidar com frustrações. “Essas crianças crescem e podem se tornar intolerantes às limitações alheias, exigentes, chantagistas e até perversos. Podem vir a desenvolver uma personalidade manipuladora, que joga constantemente com as pessoas com o objetivo de conseguir o que querem, tornando-se agressivos - não necessariamente no que compete à agressividade física - quando não têm seus desejos satisfeitos”, enfatiza a psicóloga.
Porém, mais do que explicar para as crianças o motivo do “não” é ser um exemplo em casa. Não adianta dizer que não irá comprar aquele brinquedo novo porque não tem dinheiro e trocar de celular a cada novo lançamento. Ou sempre chegar em casa com uma roupa nova. É fundamental ser coerente em seu discurso.
Todos queremos ter filhos felizes, com sucesso pessoal e financeiro. E sabemos que filhos que não suportam frustrações são aqueles que receberam poucos “nãos”. Eles não têm limites e correm alto risco de se tornarem os endividados do futuro. Afinal, não sabem esperar, pois aprenderam que “tudo pode”, que “quando” e “como” não importa. Lembre-se sempre que uma pequena frustração hoje, que certamente será esquecida em poucos minutos, pode evitar um enorme prejuízo no futuro: financeiro e emocional.