sábado, 4 de março de 2017

Será que tenho lucro?

O primeiro passo é descobrir quanto sua operação custa. Essa tarefa parece simples, mas acaba enganando muita gente. Além das despesas que acabamos esquecendo de calcular, como água, luz, internet, etc., ainda tem aquelas que são compartilhadas.
Se você tem loja física e virtual, isso representa um problema extra. No caso dos funcionários, por exemplo, como dividir a despesa, já que a equipe trabalha no endereço físico, mas também atende as encomendas que chegam pela internet? 
Escolher uma das duas para lançar o valor não é o melhor caminho. Se você colocar os custos na loja física, por exemplo, vai dar a impressão que a online lucra muito mais, já que não terá praticamente despesas operacionais.
O que fazer nesse caso?  Segundo Márcio Iavelberg, da consultoria Blue Numbers, o melhor caminho é calcular a parte do tempo que os funcionários atuam em cada uma das empresas. 
Por exemplo, se 30% da jornada de oito horas da equipe é dedicada à loja virtual, logo, o mesmo total, ou seja 30% do salário de cada um, deve ser custo do e-commerce. Essa é uma boa estratégia para todas as despesas conjuntas. É o que o Márcio chama de “rateio”.


Também é importante saber categorizar os gatos. Além de saber a diferença entre as despesas fixas (que independem do volume de vendas, como aluguel, folha de pagamento, luz e água), e as variáveis (que mudam de um mês para o outro, tais como embalagem e frete), é preciso ter bem claro o que é um investimento e o que é um custo.
O marketing pode ser um bom investimento para uma empresa, abrindo espaço para crescer e atingir novos públicos. Mas Iavelberg alerta: “se o marketing se transformar em venda, valeu o investimento. Mas até então é um gasto. Você não sabe se vai ter retorno ou não”. E se você não tiver retorno? Seu caixa é suficiente para bancar esse investimento? 
Categorizar corretamente os gastos ajuda, também, a tomar decisões e considerar se seu orçamento permite um investimento dessa natureza ou não.  

Faturamento não é dinheiro no caixa (nem no bolso)

A loja vendeu bem esse mês? Que ótimo! Mas isso não é o mais importante. O que vale mesmo é receber bem. Afinal, pode haver clientes inadimplentes, taxas altas de cartão de crédito ou de frete que acabem “corroendo” seus lucros e transformando um monte vendas em um caminhão de prejuízo.
Confira sempre o quanto sua loja está recebendo dos clientes e o quanto está ficando no caixa. Outra dica é fazer uso da Curva ABC, que você já aprendeu a fazer aqui. Ela vai te ajudar a descobrir quais são os produtos que realmente trazem retorno financeiro para o seu negócio e quais estão só ocupando espaço no seu estoque. Vale a pena consulta-lá.
Outro ponto fundamental é saber calcular sua margem corretamente. Muita gente acha que a margem é a diferença entre o preço de compra e venda de um produto. Ledo engano. Todos os custos – de armazenamento e embalagem a frete e até pós-venda – precisam entrar na conta. Só assim você poderá saber se um produto traz retorno de fato ou não.