sábado, 11 de janeiro de 2014

Entrevista com Márcia Tolotti, autora do livro “Armadilhas do consumo”


Você compra mais do que deveria e, muitas vezes, acaba se endividando?
Confira a nossa entrevista com a consultora e psicanalista Márcia Tolotti, autora do livro “Armadilhas do Consumo” e repense alguns aspectos da sua vida financeira:
O que a motivou a escrever o livro "Armadilhas do Consumo"?
Márcia Tolotti -
 Com mais de 20 anos trabalhando na clínica, atendendo em consultório e na atividade de consultoria em empresas, percebi que havia um problema que se repetia, na forma como as pessoas lidavam com o dinheiro. Passei, então, a estudar o tema e praticamente não encontrei bibliografia que falasse da realidade brasileira. Então, comecei a participar de eventos específicos sobre finanças pessoais, aprofundei o estudo e escrevi.
Que armadilhas são essas?
Márcia Tolotti - As armadilhas se dividem em duas grandes vertentes: falta de educação financeira e indisciplina emocional. A maioria não conhece noções e técnicas básicas para gerenciar as finanças pessoais. Esse é o lado objetivo do problema mais fácil de sanar, pois basta ler um livro, um artigo e as informações mais importantes serão adquiridas. O problema maior está na segunda vertente, que é a indisciplina emocional, ou seja, as emoções que nos levam aos gastos desnecessários, como tristeza, autoestima baixa, insegurança, necessidade de status, angústia e inveja.
O que muda quando um leitor conhece essas armadilhas?
Márcia Tolotti - A realidade muda à medida em que cada um começa a analisar as emoções envolvidas no ato da compra. Por exemplo, ao comprar aquele sapato que provavelmente não caberá no armário, se perguntar “o que estou comprando junto com ele?”. Seria uma sensação de falta que a pessoa está tentando eliminar e imagina que ao comprar o sapato se sentirá melhor? Mais feliz? Mais realizada? Não é um processo fácil, mas necessário. As emoções não são conscientes, então estamos lidando com uma força psíquica que nos impulsiona a comprar, sem percebermos. Nosso trabalho é intenso, mas aos poucos vamos incorporando o novo hábito, o hábito de analisar nossas decisões financeiras.
Ainda pensando na pergunta anterior... exercitar o consumo consciente dá trabalho?
 Márcia Tolotti - Sim, dá trabalho, mas ficar endividado ou sem dinheiro dá mais trabalho, não é verdade?
Há um perfil (criança, mulher etc) mais suscetível a cair nessas armadilhas ou essa visão é mito, preconceito?
Márcia Tolotti -
 O mercado é muito competente e estuda todos, em todas as idades e todas as classes sociais. Não é privilégio de nenhum de nós, somos todos envolvidos pelos apelos do hiperconsumo.
De que forma o seu trabalho como psicanalista a auxiliou nesse trabalho?
Márcia Tolotti - Como as decisões financeiras, segundo a neurociência, são 95% emocionais e apenas 5% racionais, a psicanálise é a grande ferramenta para auxiliar as pessoas diante das suas escolhas.
Em que momento você, como psicanalista, resolveu investir na atividade de consultora financeira?
Márcia Tolotti - A partir do momento que comprovei a eficácia do trabalho.  As pessoas davam feedbacks constantes, dizendo que estavam conseguindo se proteger, parando de se endividar e se transformando em investidoras... Isso tudo fez com que eu tivesse certeza de que estava no caminho certo. Ao ampliar o trabalho para o maior número de pessoas, estaria ajudando a construir uma sociedade menos escrava e mais livre. Minha missão é compartilhar o conhecimento e ajudar pessoas a terem a maior clareza possível das decisões e isso fazemos através do pensamento crítico e da constante análise das nossas emoções. Além de contar com a visão estratégica de profissionais da mídia, que abrem espaço para que os leitores ampliem o conhecimento. Obrigada pela oportunidade e desejo que todos possam fazer bons investimentos afetivos e financeiros.