Uma matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense chamou atenção. Com dados do Banco Central (BC), o jornal demonstrou que mesmo se o décimo terceiro salário fosse usado integralmente para pagar dívidas, não seria suficiente. Os brasileiros chegam ao fim de 2013 devendo, somente aos bancos, um total de pouco mais de R$ 1,2 trilhão, o maior saldo da história, segundo o BC. O montante equivale a oito vezes a quantia que será injetada na economia brasileira com o benefício natalino.
A soma do que os brasileiros devem aos bancos representa, hoje, 25,8% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo a maior proporção já identificada pelo BC. O problema é mais grave porque a dívida dos brasileiros está concentrada na modalidade mais cara: cheque especial e cartão de crédito. O saldo devedor do cheque especial acumula alta de 20,9% no ano, a maior já registrada. Os débitos com o cartão de crédito na modalidade rotativa, quando se quita apenas o valor mínimo da fatura, cresceram 6,2% nos 10 primeiros meses, mais do que os pagamentos à vista com cartão, onde não incidem juros, com alta de 5,1%.
A agência LeadPix, em parceria com a Cristina Panella Planejamento e Pesquisa, divulgou o trabalho “A inadimplência dos brasileiros em 2013: situação financeira e percepção do futuro“, mostrando que o problema surge quando se investiga o que as pessoas entendem como endividamento. No levantamento feito em outubro deste ano, 84% dos entrevistados afirmaram que endividamento é gastar mais do que se ganha, enquanto 8% acreditam que o crédito é o que se toma para pagar as dívidas. Somente 7% dos entrevistados consideram crédito e endividamento a mesma coisa.
A maior parte do público, provavelmente pela facilidade de obtenção de crédito representada por esses instrumentos, considera o cartão de crédito e o limite do cheque especial como complementações da renda: 45% dos entrevistados se sentem endividados apenas quando não conseguem pagar o saldo total da fatura, e apenas 7% se sentem endividados quando utilizam o limite do cheque especial, ou, no jargão popular, “entram no vermelho”. “É tão forte a impressão de que essas formas de crédito são apenas mais um meio de pagamento que 58% dos entrevistados já emprestaram seu nome, ou seja os benefícios de seus cheques ou cartões para alguém”, diz o estudo.
“O brasileiro está experimentando o crédito cada vez mais, porém, não existe uma preocupação de educação financeira , que traria benefícios a curto e a médio prazo. É preciso que haja um esforço do governo, instituições financeiras e da própria população para evitar problemas maiores no próximo ano”, comentou o economista e diretor executivo da LeadPix, Wiliam Kerniski.
De certa forma, o ano de 2013 não foi fácil para os brasileiros. A inflação se manteve persistente e alta. Para piorar, houve uma escalada da taxa básica de juros, que chegou a 10% ao ano, encarecendo o crédito e acelerando o inchaço das dívidas. Resta apenas a expectativa de que 2014 seja um ano melhor para o bolso do consumidor brasileiro.