domingo, 9 de julho de 2017

Economia continua em baixa







A marcha desinflacionária, iniciada há um ano e meio, prosseguiu e se aprofundou em junho. Com uma deflação mais acentuada do que indicavam as projeções, o IPCA do mês passado variou 0,23% para baixo. Os motivos para a presente trajetória da variação de preços, que acumula alta branda de 1,18% no ano e 3%, no acumulado em 12 meses — piso do intervalo de tolerância do regime de metas —, são os mesmos dos meses anteriores: consumo retraído, ainda afetado pelo desemprego e o endividamento das famílias, e oferta abundante de alimentos, item com o maior peso individual no índice.
Se a inflação é um termômetro da temperatura da economia, sua escala de mercúrio está ainda está mostrando a prevalência de desequilíbrios baixistas. Mesmo afrouxados pela boa safra de grãos e condições climáticas favoráveis para os hortifrutis, os preços dos alimentos cedem diante da demanda enfraquecida. Os preços das carnes, por exemplo, também apresentaram recuos e estes também refletem demanda retraída, uma vez que a oferta está sendo dividida com as exportações.
O resumo da história, narrada pela inflação de junho e pelas tendências previsíveis da variação dos preços para os próximos meses, mostra que o esboço de recuperação econômica localizado aqui e ali, em abril e maio, ainda não tem força para reverter o quadro de baixo crescimento. É verdade que foram observadas altas — moderadas, mas razoavelmente disseminadas —, em alguns segmentos nos serviços pessoais e este, não sendo um sinal de retomada, pode estar indicando algum tipo de movimento rumo à estabilização.
É possível que o quadro de instabilidade política, hoje acentuada com a perspectiva de substituição do próprio presidente Michel Temer, esteja exercendo um certo peso na postergação de uma eventual recuperação econômica, na medida em que pode promover adiamento em decisões empresariais de investimento e de consumo, sobretudo de bens duráveis, da parte das famílias. Mas não pode ser tomado como preponderante na trajetória desinflacionária em curso.