A economia da Argentina continua com problemas.
Nem o pagamento de empréstimos, nem a abertura do câmbio e da economia ajudaram a decolar. Em um ano e meio do governo de Mauricio Macri, a dívida cresceu assim como a pobreza e o desemprego. O governo ratificou seu rumo e disse que considera indicadores como o aumento dos créditos hipotecários, da venda de automóveis novos e da receita fiscal, ainda que incluindo a ampliação da base tributária, um alento.
"Não se chega ao paraíso de um dia pro outro", disse o chefe de Gabinete, Marcos Peña, sobre a situação econômica. "Ainda temos enormes desafios", admitiu. O governo justificou o ajuste imposto em 2016 como um mal necessário para organizar as contas e atrair investidores. Mas a chuva de investimentos não chega - eles, inclusive, caíram pela metade, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
"Em 18 meses de governo, a Argentina encerrou as restrições cambiárias e pagou a dívida com os 'fundos oportunistas', mas o cenário macroeconômico piorou", disse à AFP o economista e acadêmico Pablo Tigani. - Vagas magras -Desde o ano passado, o consumo vem caindo, abafado por uma inflação que chegou a 10,5% nos cinco primeiros meses de 2017. Nos últimos 12 meses, o custo de vida subiu 24% no país, segundo a estatística oficial. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou, em seu último informe, que a marca chegará a 25,6% neste ano. Para melhorar a economia, o governo reduziu subsídios e até pensões por invalidez foram investigadas. Mesmo assim, Macri conserva 40% de aprovação, respaldado pela classe média antikirchnerista.
"A recuperação é mais lenta que o esperado. Os setores 'campeões' da política econômica são o agronegócio e a construção", disse à AFP Matías Carugati, economista chefe da consultoria Management & Fit. - Dívida eterna -"A dívida aumentou em 100 bilhões de dólares, o desemprego subiu de 7% a 9,5% e o PIB caiu 2,5% em 2016.
Mesmo se se recuperar nesse ano, teremos voltado ao mesmo lugar, mas com a perda de um terço das exportações", descreveu Tigani. O banco Morgan manteve sua avaliação da Argentina como um "mercado fronteiriço". "É um verdadeiro insulto, um país fronteiriço é como um país louco, não usarem sequer emergente, que é um eufemismo para não dizer pobre", lamentou Tigani. A avaliação ruim surpreendeu o governo que, no dia anterior, havia lançado um inédito bônus do Tesouro a 100 anos a 7,9%, a taxa mais alta para um bônus "eterno". O ministro de Economia, Nicolás Dujovne, minimiza os riscos do endividamento público do país. "A Argentina tem uma dívida (com o setor privado) de 26% do PIB, um terço da que têm o Brasil e metade dos países emergentes, então temos que ficar tranquilos", afirmou. - Falta trabalho -Macri vai enfrentar as eleições legislativas em 22 de outubro.
Seu maior desafio é manter o bom humor dos argentinos. Desde que assumiu, cerca de 11 mil vagas públicas foram encerradas e mais de 200.000 postos no setor privado, fechados, segundo sindicatos. Recentemente, uma fábrica da multinacional Pepsico fechou as portas. "Mandaram 600 trabalhadores para a rua. Não queremos indenização porque, em um ano, não teremos nem o que comer", disse à AFP Camilo Mones, representante da Pepsico. A pobreza aumentou e afeta um em cada três argentinos. Quase metade das crianças argentinas são pobres, segundo o Fundo da ONU para a Infância (Unicef).